
O Brasil, embora possua um número modesto de radioamadores diante de suas dimensões, tanto territorial quanto populacional, carrega uma trajetória de pioneirismo e protagonismo ímpar no radioamadorismo mundial.
Exceção feita às célebres experiências do Padre Roberto Landell de Moura entre 1893 e 1900, os primeiros registros do radioamadorismo no Brasil remontam ao período entre 1909 e 1912. Foi a partir de Curitiba, cidade onde o fluminense e telegrafista Lívio Gomes Moreira (1876-1946) se radicou, que ocorreram as primeiras transmissões amadoras relatadas no Brasil. O enlace de mais ou menos 2 km, realizado entre as residências de Lívio e José Luz, na Rua Augusto Stellfeld, foi coroado de êxito. Lívio é formalmente reconhecido como o primeiro radioamador brasileiro, detentor dos indicativos BZ1M, SB3IG e, por fim, PY5AG.
A partir desse marco em solo paranaense, o interesse pelo rádio experimentou forte expansão no mundo e no país. Como resultado, a partir da década de 1920, multiplicaram-se as estações amadoras, notadamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, alcançando também Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Pará.

Desafiando a precariedade dos equipamentos artesanais que eram construídos, a escassez de componentes eletrônicos, a falta de literatura técnica internacional e o pouco conhecimento sobre o comportamento da propagação das ondas nas diversas faixas, os brasileiros comemoravam cada contato interestadual. Entre 1920 e 1924, registraram-se as primeiras notícias sobre DX, contatos de longa distância com o exterior.
Com o crescimento da atividade e do número de radioamadores surgiu a necessidade de organização para que as experiências do radioamadorismo e o desenvolvimento das comunicações recebessem amparo legal a partir de uma regulamentação oficial.
O movimento ganhou o reforço de publicações, ainda que incipientes e finalmente recebe o apoio decisivo da Academia Brasileira de Ciências — instituição que contava com diversos experimentadores de rádio em seus quadros.
A mobilização culminou na promulgação do Decreto nº 16.657, assinado em 5 de novembro de 1924 pelo Presidente da República, Artur Bernardes, e pelo Ministro da Viação e Obras Públicas, Francisco Sá e publicado no Diário Oficial da União em 7 de dezembro do mesmo ano. O Decreto alterou a legislação de 1917, que previa a exclusividade da União sobre a exploração do serviço radiotelegráfico e radiotelefônico, legalizando e regulamentando oficialmente o Serviço de Radioamador no país.
Mesmo com esse marco histórico, a comemoração do Dia do Radioamador Brasileiro ocorria em 22 de outubro, que se referia a uma reunião entre paulistas e fluminenses, em 1933, que levou à fusão da LABRE (fundada em São Paulo) com a RBR (fundada no Rio de Janeiro), dando origem à LABRE em 2 de fevereiro de 1934.

Porém, em outubro de 1968, durante reunião do Conselho Federal da LABRE em Curitiba, um dos primeiros radioamadores brasileiros, o pioneiro paulista João Ramos Baccarat (PY2AJ) apresentou uma minuciosa pesquisa contestando a data de 22 de outubro e resgatando a data do Decreto nº 16.657 como o marco inicial da regulamentação da atividade radioamadorística no Brasil.
A tese foi acolhida e, desde então, o dia 5 de novembro ficou estabelecido como o Dia do Radioamador Brasileiro. Já no âmbito internacional a data reconhecida como Dia do Radioamador é o dia 18 de abril, data de fundação da International Amateur Radio Union – IARU.
Desde a chancela oficial em 1924, são mais de cem anos de conquistas e de uma trajetória de orgulho. O Brasil, mesmo diante de tantas dificuldades, formou expoentes de expressão global e deu contribuições valiosas ao desenvolvimento do radioamadorismo mundial. E só para provocar um pouquinho, nunca é demais recordar que o grande pioneiro da nossa história era… telegrafista! HI HI
Um feliz Dia do Radioamador a todos! Sigamos celebrando e mantendo viva essa paixão através das ondas!
Arrectis Auribus
