Por PY2BW – Egon Boehm – Boletim CWSP nº 158, Janeiro de 2000.
Modos de propagação.
Basicamente conhecemos três modos de propagação das ondas de rádio:
- a) Onda de terra;
- b) Onda direta;
- c) Onda refletida.
Existem algumas outras formas de propagação das ondas chamados de modos esporádicos. Esses modos esporádicos tornam algumas bandas muito interessantes para quem gosta de observar os fenômenos ligados à propagação. Como esses fenômenos são imprevisíveis e quase sempre de curta duração, têm uma atração toda especial, como por exemplo, a formação de dutos em 160 e 6 metros, a chuva de meteoros em 6 e 2 metros, etc.
As vezes as ondas chegam por mais de um caminho ao receptor e fica inicialmente difícil dizer qual modo de propagação é o predominante. Quando escutamos uma estação de onda média distante durante o dia e o seu sinal é mais fraco do que durante a noite podemos afirmar que, durante o dia estamos escutando pelo modo de onda de terra e durante a noite a esse modo soma-se a onda celeste (refletida).
Quando estamos relativamente próximos ao transmissor fica difícil também dizer se a onda é direta ou de terra.
Onda de terra
Quando as ondas de rádio “se desprendem” da antena, a energia irradiada viaja com a velocidade da luz.
Considerando a antena vertical da figura, é como se jogássemos uma pedra em um lago e observásssemos as ondas saindo do ponto onde a pedra caiu na água. Assim seria vista a onda por um observador que estivesse colocado acima da antena, bem na sua direção vertical. São como círculos concêntricos que se expandem. A onda de terra é preponderante nas freqüências baixas. Ela “exige” a polarização vertical.

A onda de terra é composta de campos elétricos curvos que terminam na superfície do solo, tendo a sua polaridade invertida a cada meia-onda da freqüência transmitida. Um observador colocado de lado veria ondas partindo da antena e expandindo-se conforme mostra a figura. Essas ondas são constantemente guiadas pelo solo. A frente de onda é ligeiramente inclinada para cima pois aparece uma componente vertical da energia que penetra no solo. Essa componente é resistiva e dissipa energia.
Quanto melhor for a condutibilidade do solo melhor será o efeito de guiar as ondas e menor será a energia absorvida, ou seja, menor será a atenuação dos sinais. Por essa razão, ondas de terra propagam-se melhor no mar ou n’água do que em solo de baixa condutibilidade, como seria no caso extremo, o solo desértico. Pela experiência, para um solo bom, podemos considerar que o sinal cai à metade quando dobramos a distância em relação à antena transmissora. Para solos ruins a atenuação é ainda maior.
O relevo tem papel importante importante. A topografia ao longo do caminho de propagação deve ser a mais plana possível. Um obstáculo muda a direção da “guia” mandando o sinal para direções indesejáveis.
Por essa razão, mais uma vez, a onda de terra se propaga melhor n’água.
Na prática, usamos as ondas de terra quando escutamos estações em onda média, radio-faróis em baixa-freqüência ou fazemos contatos a curta distância durante o dia.
No próximo mes onda direta.
de PY2BW – Egon
