Por PY2BW – Egon Boehm – Boletim CWSP nº 156, Novembro de 1999.

Antes, os radioamadores tinham uma vasta gama de assuntos técnicos para tratar, tais como a montagem de equipamentos, dispositivos, antenas, sintonizadores, amplificadores, etc. Com a produção comercial dos equipamentos, pouquíssimos radioamadores ainda montam seus próprios rádios e amplificadores. Então restaram para nós “mexermos” basicamente, as antenas e o estudo dos mecanismos de propagação das ondas de radio.

Iniciamos aqui uma série de artigos sobre propagação. Não queremos entrar em considerações teóricas profundas e nem dar muitas fórmulas físicas mas sim, dar alguns conceitos e explicar algumas coisas que parecem curiosas.

As formas de propagação são diferentes quando estamos operando em ondas curtas (HF), 6 Metros ou em freqüências mais altas. De VHF para cima, os modos de propagação são bastante simples e previsíveis. Em 50 MHz ou em HF entramos no fascinante mundo das condições não previsíveis.

É justamente essa não previsibilidade que torna a operação em HF tão interessante!

Falaremos um pouco da ionosfera, das diversas camadas da ionosfera e sua influência nos sinais recebidos, falaremos da ionização das camadas pelo efeitos dos raios solares, ângulos de tiro e reflexões. Dentro do HF temos bandas de radioamador com características bem diferenciadas, as assim chamadas bandas baixas (160, 80 e 40), bandas médias (30, 20, 17 e 15) e as bandas altas (12 e 10 metros).

Porque falamos bem durante em 40m a noite com alguns colegas durante alguns meses do ano e não o conseguimos em outros? Porque é tão difícil falar com a Austrália em 10 m? porque algumas antenas são melhores que outras? Qual a relação do ângulo de tiro da antena com os sinais ?

Primeiro conceito importante:

A Reflexão.

Quando você olha para um espelho, você vê a sua própria imagem refletida. Se você fica mais de lado, você não se enxerga mais, mas começa a ver outras partes do quarto. Até chegar ao plano do espelho, você enxerga o que acontece no outro lado. Se você fizer uma medida, vai constatar que o ângulo do seu olho para o espelho é o mesmo ângulo que do outro lado forma o espelho com a linha até o objeto que você está vendo refletido. Os físicos diriam que o ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão. Esse conceito inicial é muito importante pois no caminho das ondas de rádio, elas são refletidas constantemente. Veja algumas conseqüências:

  • 1- Se o espelho é bom, a imagem refletida é boa.
  • 2- Se o espelho é ruim, a imagem vai ser refletida com distorção.
  • 3- Sem espelho não há com refletir as imagens. Sempre que uma onda bater em um obstáculo (espelho), ela pode ser refletida, refratada ou absorvida. Isso vai depender do tipo de obstáculo.

(continua)…

de PY2BW – Egon