Por PY2EGM, Sergio Graciotti. Boletim CWSP nºs 142 e 143, Setembro e Outubro de 1998.
Embora este seja um boletim que privilegia a operação em CW, nunca é demais enumerar algumas dicas para melhorar a qualidade de operação em fonia para os colegas que começam na difícil arte do DX.
N.E: a maioria delas se encaixa perfeitamente com vários dos princípios éticos da operação em CW.
MY LOCATOR? – Ao passar o QTH muita gente diz “my locator is São Paulo“, confundindo a palavra locator, com location. Locator não é uma cidade. É uma expressão alfanumérica que designa a posição geográfica da estação. O que se deve dizer é “my location” no caso de enunciar a cidade. Ou então passar também o seu grid locator.
SÚCHI AMERICA? – Puxa, é tão fácil dizer “saut-américa“. Não precisa ter estudado em Harvard.
PORTUNHOL – Todos nós cometemos erros ao falar outra língua. Mas não precisa exagerar, né? Não tente falar espanhol achando que basta botar um “u” ou um “e” que resolve. É melhor falar português pausadamente do que cometer algumas gafes tipo “Cueca Cuela“, que só prejudicam a nossa imagem no exterior. Assim vale também para o inglês. Basta dar uma olhada no dicionário ou prestar atenção a um comunicado em inglês e extrair o necessário. Corujar muito foi, é, e continua importante.
O fato de uma língua ser parecida com a nossa não quer dizer que você possa falar qualquer coisa e ser entendido. Já aconteceu num almoço de confraternização do Mercosul, um PY dizer a um LU: premitalhe ofrecerlo um sorviete de moriango!!??? Alguém aqui já tomou um sorviete ou comeu moriango? Nem lá.
Uma vez, numa reunião parecida, um HK3 perguntou a um PY: “tienes fósforos?” Ao que o brasileiro prontamente respondeu: “Non tiengo nadie“. Três palavrinhas, três erros: “Non“, está errado; “tiengo” também; e “nadie” quer dizer ninguém. E para a sobremesa ele pediu “pêjegos en calda“, que em espanhol se deve dizer “duraznos en almíbar“. Conta-se com a boa vontade do garçom.
CODIFICAÇÃO – Há QSOs em que a perda de tempo é enorme, simplesmente porque um dos interlocutores, além de não dominar a língua em que o comunicado é realizado, usa uma fonética inadequada. Junte-se a isto QRM/QRN e pronto.
A outra parte não entende mesmo. Então, fica aquele vai e vem desagradável.
Aprenda o alfabético fonético internacional e se as condições não permitirem, não tente variar. Isso só vai causar confusão. Se as condições estão boas, pode não fazer muita diferença (embora seja desrecomendado pelas normas) se você codifica o seu indicativo PU0XXX como “Parintins-Unicórnio- Nulo-Xerox-Xavier-Xantipa”. Mas, se as condições estão meio difíceis, use o alfabético fonético internacional, criado exatamente para isso.
FALAR DEMAIS – Não fique se exibindo ao trabalhar uma estação DX, perguntando como é a vida dele lá, que carro ele tem, quanto custa o aluguel de um vídeo-cassete etc. Normalmente as pessoas fazem isso para se mostrarem íntimas do DX. Enquanto nós, pobres mortais lutamos para conseguir chegar até lá, ele bate um tranqüilo papo com a figurinha. Claro que não é proibido conversar com uma estação DX no meio de um pile-up, mas só quando O DX puxa conversa ou faz perguntas. Lembre-se que todo mundo está esperando a vez. Não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você.
Por outro lado, se você está sendo alvo de um pile-up, confirme o indicativo do colega que você atendeu, senão ele fica na incerteza se você voltou para ele e entendeu tudo ou não. Muitos operadores que não querem dar o braço a torcer por não ter ouvido direito a estação, simplesmente dizem QSL e prosseguem no pile-up. Ouve-se muito este procedimento em 10m, onde a propagação costuma ser errática.
PREFIXO, SUFIXO E INDICATIVO – Prefixo é uma coisa, sufixo é outra. Os dois compõem um indicativo. O prefixo de alguém não é PU0XXX; este é o indicativo. O prefixo é só o PU0. O sufixo é composto das letras que seguem o prefixo, no caso, XXX. O termo prefixo tem sido usado erroneamente como indicativo.
MIKES DE GANHO ETC – Muitos operadores vêm com hábitos adquiridos em “outras avenidas” e têm uma transmissão tão sobremodulada, comprimida e processada, que se torna difícil entendê- los, mesmo em boas condições de propagação. Mi- crofone agudo para melhor penetração é uma coisa, mas modulação distorcida é outra coisa: horrível e irritante.
QRL – Tome como regra, sempre, mas sempre, antes de iniciar as transmissões, perguntar se a frequência está ocupada, principalmente em 10m. O fato de você não estar ouvindo nada não significa que outros não estejam. Outro mau hábito é o de chamar geral ou ficar perguntando QRZ numa frequência onde se ouvem sinais fracos ou “murmúrios“. Este procedimento, de “pescador de águas turvas“, pode prejudicar uma porção de colegas para os quais os “murmúrios” são DX que eles estão tentando ouvir e trabalhar. Se você conseguir ouvir quais são as estações, muito bem, chame-as. Mas se não conseguir espere um pouco mais e não atrapalhe os outros.
QRM – Quando você trabalhou ou está escutando um DX não mantenha QSO na mesma frequência dele. Isto é totalmente contra a ética operacional. Sabe como é, chega um colega e pergunta o que você trabalhou e você explica e aí começa um QSO que atrapalha os outros que estão tentando escutar. Desenvolva a sua consciência pública. O fato de você já ter trabalhado aquela estação, não significa que ninguém mais precisa trabalhá-la. Este procedimento denota um alto grau de egoísmo, descaso pelos outros e ignorância operacional. Além de ser muito feio pela falta de educação. Preste atenção quando acontece um caso assim e você vai se envergonhar se os colegas que estão procedendo dessa maneira são brasileiros. Em suma, não fale na frequência do DX, suba ou desça pelo menos 10 kHz e converse à vontade.
de PY2EGM – Sérgio
