Por PY2NFE – Ronaldo Brisolla. Boletim CWSP nº 136, Março de 1998.
Um dos muitos acessórios que utilizamos em nos- so dia a dia de radioamador é a carga não irradiante também conhecida como “carga fantasma”. Muito já foi escrito sobre esse assunto, discursando sobre o tipo e a disposição dos resistores, mas muito pouco, ou quase nada, foi dito sobre um material que é de fundamental importância que é o material dissipativo.
E o que é material dissipativo???
Material dissipativo é o componente que tem como finalidade dissipar a energia (no caso calor) na qual a RF é transformada. Tomemos como exemplo uma carga não irradiante composta de 20 resistores de 1K ohm colocados em paralelo sendo que cada resistor é de carbono e 2 Watts de dissipação. Nessa situação, teremos uma carga não irradiante de 50 ohms e 40 Watts de dissipação. Normalmente este arranjo de resistores é colocado dentro de uma lata metálica.
Se utilizarmos um transmissor de 100W ficam faltando dissipar 60W.
A solução é aumentar a capacidade de dissipação de nossos resistores. Isso pode ser feito de várias maneiras, sendo que o uso de areia refratária é a mais usual, pois quando preenchemos o espaço vazio do interior da lata usada para se colocar os resistores a areia serve como um portador de calor entre os resistores e a lata. Porém, não é fácil encontrar no mercado esse tipo de areia e também não é fácil fabricá-la.
Mas existe um material que pode substituir a areia refratária: trata-se de micro esferas de vidro que são utilizadas em máquinas de jateamento de areia. Ela se apresenta como um pó extremamente fino, que por ser de vidro é perfeito para esta aplicação, pois não retém umidade e possui uma altíssima isolação elétrica.
Este material pode ser encontrado em casas especializadas em abrasivos. Uma outra solução, é utilizarmos óleo como meio refrigerante. Neste caso o ideal seria utilizar o mesmo tipo de óleo usado para refrigerar transformadores, mas esse material é muito perigoso de manusear podendo causar até mesmo câncer quando em contato com a pele, além de seu elevado custo.
Uma saída econômica é usar óleo para motores automotivos, ou seja o mesmo tipo de óleo que utilizamos em nossos carros. É fácil de manusear, barato e facilmente encontrado. Apenas devem ser observados alguns detalhes:
- Devemos verificar se a lata que estamos usando não vai vazar, sendo que é recomendável soldar as emendas, tando a lateral quanto a superior e inferior. Esse serviço pode ser feito pelo lado externo da lata. Outra sugestão é soldar a tampa da lata utilizada. Em meu caso utilizei a lata de uma conhecida marca de leite em pó para crianças e foi necessário fazer um trilha de solda nos locais acima mencionados, um ferro de solda de 100W e solda de estanho é suficiente para este serviço;
- É importante não encher a lata totalmente pois com aquecimento o óleo tende a se expandir e por isso é recomendável deixar 2 ou 3 centímetros de folga.
de PY2NFE – Ronaldo
