Por PY2NFE – Ronaldo Brisolla. Boletim CWSP nº 135, Fevereiro de 1998.

Todos nós sabemos que uma antena, ou um conjunto de antenas, é um dos pontos fundamentais para se obter bons resultados em DX ou mesmo em contatos a curta distância. Mas um ponto nem sempre lembrado é o conector coaxial.

Alguns cuidados devem ser tomados na montagem do cabo coaxial e outros cuidados em sua preservação. De nada adianta termos uma excelente antena se o cabo coaxial (e conector) que estiver a ela ligado for conectado ao rádio de forma precária. Os conectores coaxiais são projetados para que se obtenha uma união entre dois pontos da melhor maneira possível, de forma a manter as características elétricas dos pontos em união, devendo portanto ter uma baixa perda por inserção, além de manter a impedância característica do cabo no ponto onde o conector for instalado. Suportar as tensões de pico de RF, manter suas características físico-elétricas inalteráveis, independente das condições do meio ambiente, possuir a rigidez mecânica necessária a manter os pontos unidos, dentre outros.

No processo de escolha de um conector existem alguns fatores que devemos observar:

  • Que o material isolante seja de boa qualidade. Atualmente o material mais utilizado é o Teflon que possui excelente isolação elétrica e suporta razoavelmente bem a temperaturas elevadas (300ºC), é higroscópico não absorvendo umidade, portanto. Seu custo hoje em dia é extremamente baixo se comparado com anos anteriores. Ainda existem no mercado alguns conectores que utilizam outros materiais como isolante (celeron ou plástico), não sendo recomendável o seu uso;
  • Que o conector tenha um banho eletroquímico para que o processo de oxidação do metal seja reduzido;
  • Que o conector tenha “espaço” suficiente para a correta montagem do cabo coaxial;
  • Evite conectores que utilizem o processo de “crimpagem na malha do cabo, pois o processo de crimpar provoca uma deformação no elemento isolante do cabo coaxial, causando assim uma mudança na impedância característica do cabo naquele ponto.
OBS: O teflon apesar de ser higroscópico absorve umidade a uma proporção extremamente baixa, de forma que é recomendável a substituição de conectores e emendas coaxiais que ficam expostas às intempéries a cada 2 anos.

Já no processo de montagem os cuidados são os seguintes:

  • Soldar o fio do “vivo” do cabo coaxial e também a malha. Para os que usam cabo coaxial RG-213 (cabo grosso) antes de “rosquear” o conector à capa plástica do cabo, deve-se estanhar a malha do cabo coaxial. E, utilizando uma pequena lima, desbastar em volta dos orifícios que existam no corpo do conector. Isso feito, rosqueia-se o conector ao cabo até que a malha estanhada apareça nos orifícios. Então, basta soldar a malha no conector. Para isso, use um ferro de solda de no mínimo 100 w. Para os que usam cabo coaxial fino RG-58, deve-se fazer com a malha do cabo duas tranças que serão passadas pelos orifícios e então soldadas no conector.
  • Se o conector for utilizado em local externo (junto à antena ou chave de antena remota) é recomendável protegê-lo. Para isso, após fixá-lo em seu local definitivo, passe fita de teflon em volta do conector até o cabo coaxial (2 vezes) e por cima, passe fita de auto-fusão. A fita de teflon é a mesma utilizada em roscas de canos para água (N.E: “veda rosca”) e fita de auto-fusão é semelhante à fita isolante, só que em função da compressão, ela se solidifica. Ou, se preferirem, se vulcaniza, evitando assim a penetração de umidade no cabo coaxial e diminuindo a absorção de umidade pelo teflon do conector.

de PY2NFE – Ronaldo